Voz poderosa

Você pode não conhecer o rosto de Hermes Baroli das telinhas, mas sua voz com certeza já ouviu. Ele é um dos mestres da dublagem brasileira e tem no currículo clássicos da televisão e do cinema como Seiya, do desenho que foi sucesso nacional Cavaleiros do Zodíaco, Edward Norton, Ashton Kutcher e o galã Finn, da série americana Glee, a febre mundial do momento. Em entrevista exclusiva para Estilo Fashion ele revela quem está por trás dos personagens.

É como dizem: filho de peixe, peixinho é. Hermes Baroli praticamente nasceu em um estúdio de dublagem. Seus pais, Zodja Pereira e Gilberto Baroli, são veteranos da profissão. Observou desde sempre o processo e o treinamento de um dublador e, quando a oportunidade surgiu, estava no lugar certo. “Um dia precisaram de uma voz de criança para o filme Super Man IV. Eu estava por perto, fiz o teste e comecei a trabalhar”, lembra.

Aos 34 anos, o ator formado em arte dramática pela USP, apresenta uma longa trajetória na dublagem brasileira. É ícone de grandes obras e defende com unhas e dentes os interesses da população. “Saber que meu trabalho ajuda milhões de brasileiros a terem acesso a obras cinematográficas importantes para o mundo, levantar questionamentos e ser o portador de palavras que podem transformar vidas, são algumas das coisas que me inspiram nesta profissão”.

Dono de um estúdio de dublagem em São Paulo em parceria com a mãe – o único também escola no Brasil – Hermes quer abrir espaço para novos horizontes na área e acredita que ainda há um oceano a ser explorado. “A Dubrasil nasce como uma chance de fazer a dublagem do jeito que acreditamos que ela deva ser feita. Recuperando valores que nos pareciam perdidos, descobrindo e preparando profissionais que não sabiam como acessar esse mercado”.

Diálogo de opinião

Hermes Baroli tem muito a dizer como ele mesmo.

Estilo Fashion: Como é ser considerado um dos melhores dubladores da atualidade?

Hermes: Agradeço suas palavras, mas a arte é extremamente subjetiva então é sempre difícil afirmar o que é “ser o melhor”. Tenho consciência de que fiz uma carreira muito interessante, com passagens nos principais estúdios do Brasil, dublando alguns dos melhores filmes, desenhos, documentários, novelas etc. É uma profissão que permite ao ator participar de um número grande de produções e ter um currículo extravagante. Trabalho em dublagem há 25 anos e participei de ótimos trabalhos em várias épocas do país. Tive a sorte de protagonizar Cavaleiros do Zodíaco, um desenho de enorme repercussão e que me deu o tal do reconhecimento que é tão importante para o ator. Então se sua pergunta se refere a isso, sou uma pessoa muito feliz por viver o que vivo.

Como você lida com o reconhecimento do público?

Costumo dizer que a fama do ator de dublagem é a fama perfeita. Ela não atrapalha o dia a dia e massageia o ego na internet por meio do contato de fãs em comunidades, fóruns e eventos de anime. Mas a melhor parte é conhecer a opinião das pessoas pra quem trabalhamos. Poder ouvir e fazer algo melhor no dia seguinte graças à opinião do público consumidor não tem preço.

Como é a aceitação do público em relação à dublagem?

O público mantém uma curiosidade infantil a respeito desse assunto. No Brasil, sempre ouvimos dublagem na televisão, principalmente em programas para crianças. Crescemos com as vozes dessas pessoas e quando as conhecemos é quase como uma viagem no tempo. As classes C, D e E têm maior prazer em ver produtos dublados e muitas vezes não têm nem condições de optar pela legenda. Já a elite do nosso país vive num eterno paradoxo entre amar as vozes de Chaves, brigar com a troca de dublagem de Simpsons, se emocionar ouvindo o Nemo e Senhor Incrível falando um bom português ou ter que declarar em público que não gosta de filme dublado e prefere assistir à versão legendada.

Quais foram os personagens que mais gostou de fazer?

São tantas coisas diferentes que é difícil fazer citações. Além do Seiya de Cavaleiros do Zodíaco, que tem um lugar especial nessa história, gosto de citar atores como Edward Norton (em Clube da Luta e Todos Dizem Eu Te Amo), Ashton Kutcher (em Família da Noiva e Recém-Casados) e Matt Damon (em O Resgate do Soldado Ryan e Ligado em Você). Recentemente fiz James Franco em 127 horas, que deve concorrer ao Oscar deste ano, o Rei Henrique VIII na belíssima série The Tudors e O Encantador de Cães Cesar Millan no canal pago Animal Planet. Enfim, tem 25 anos de coisas muito legais para citar.

Qual personagem mais mexeu com você?

Acho que foi Edward Norton em Clube da Luta, por ser um personagem extremamente importante, um ator genial. E tudo isso foi dentro da Herbert Richers, um dos impérios da dublagem brasileira.

Como profissional em dublagem, o que você acha de celebridades dublando filmes e desenhos? Considera um risco para a profissão?

Pelo contrário. Acho que eles trazem visibilidade e frescor. Prefiro quando são atores e sabem o que estão fazendo, mas acho curioso ver figuras malucas como o Supla ou o Luciano Huck tentando brincar de dublar. É divertido e acho que isso é o mais importante.

A dublagem envolve vários setores e um dos caminhos que está crescendo muito hoje é o mercado dos games. Acha que jogos dublados seriam um bom investimento?

Tenho certeza disso. É um mercado que está surgindo agora para a dublagem e acredito que vem com muita força. Mais uma vez são as classes C, D e E querendo brincar também. Eles merecem que os produtos que irão consumir falem a língua deles.

O que espera para o futuro como dublador e empresário do ramo?

O futuro da dublagem é muito promissor. Há mercados pouco explorados como os de games, TV a cabo e celular. O mundo está sendo transformado e a multimídia é parte importante neste processo. A dublagem é o acesso. Precisamos formar bons profissionais e um público consciente que saiba diferenciar um bom trabalho de dublagem de um ruim e que saiba reclamar seus direitos de consumidor.

Quer ser um dublador?

Se você é ator profissional ou tiver de 7 a 16 anos acesse: centraldubrasil.com.br e se informe a respeito de cursos disponíveis.

Não é o seu caso? Experimente a oficina livre e satisfaça a curiosidade de ver sua voz nas telinhas.

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Edição 27

A Estilo Fashion é publicada semestral e contém assuntos váriados como moda, gastronomia, saúde, etc.

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