Você acredita em Profecias?

Profecia é coisa séria. Pelo menos deveria ser. A palavra, por si só, já faz tremer na base. Não se faz profecia para dar boas notícias sobre o futuro. Pelo menos eu não conheço e, se existe, não é famosa e por isso mesmo desconhecida. Não pega. O que pega é notícia ruim, falando de desastres, guerras, doenças. Quanto mais desgraça vier junto com a profecia, mais crédula ela se torna. Desgraça pouca é bobagem. Melhor carregar na catástrofe que profetizar sem causar impacto. Acertar é o de menos. Ninguém vai mesmo lembrar-se do que foi profetizado, muito menos de quem profetizou. Isso é o de menos. O importante é carregar na desgraceira. Acho que é essa a razão que o anunciado fim do mundo, já meio desacreditado depois das passagens do cometa Halley, da virada do milênio em 2000, da ameaça nuclear desde os tempos da guerra fria, pode agora ganhar nova credulidade, depois que as profecias Maias fizeram melhor. Agora está anunciado o final dos tempos, pois termina o calendário. Se terminou ali o dito calendário porque quebrou o cinzel do escritor maia, ou porque depois de perceber que poderia estar escrevendo uma grande mentira, num momento de reflexão resolveu se arrepender e parar, não saberemos. Mas para todos os efeitos e causas parou porque ali o tempo acaba. Reflexões metafísicas à parte, acabar o tempo só se acabar o espaço e aí a coisa complica. Estão entrelaçados como a energia e a matéria.

Coisa de físicos, que eu não sou; portanto, voltemos às profecias Maias.

Ora, se tivessem sido eles um povo tão adiantado a ponto de prever o que dizem que previram, não fariam altares de sacrifícios humanos, extirpando corações como quem abria melancias. Lembro bem de ter visto a cena num filme. Como poderia um povo, que tivesse o conhecimento que se atribuía a eles terem tido para que previssem o final dos tempos, nutrirem crenças de sacrifícios humanos? No mínimo anacrônico. Mas o que conta é a má notícia. E são tantas na história. Desde as pragas de Moisés sobre o Egito, os oráculos gregos, as centúrias de Nostradamus. O índice de audiência da TV vai às nuvens quando o assunto é fim do mundo. Outro dia, um programa listou as dez razões para acreditarmos que o mundo vai acabar e logo. De repente, até antes do fim do calendário Maia. Pode ser até mesmo amanhã ou neste exato momento. Tudo é possível. Desde hecatombe nuclear, epidemias incontroláveis, falta d’água, terremotos, asteróides, planetas misteriosos.Vale tudo para aterrorizar. E ganhar pontos na audiência com isso.

Mas, pensemos positivamente. Se tudo vai mesmo se acabar em dezembro de 2012, melhor correr e fazer todas as compras em prestações a perder de vista. A dívida com a primeira parcela de pagamento para janeiro de 2013 é a melhor. O carro, a viagem, o apartamento, jatinho, iate. Se achar quem venda, até aquela ilha particular. Este é o momento de comprar. O crédito está fácil mesmo; redução de IPI, juros reduzidos e o fim do mundo anunciado. A hora é agora. Realizar todos os sonhos de consumo sem ter que se preocupar em como pagar.

Não importa como vai acabar, desde que acabe. Porque senão…

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Edição 27

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