Noites mal dormidas

A síndrome da apneia obstrutiva do sono é um mal silencioso para quem tem e um desconforto ruidoso para quem compartilha a cama ou o quarto. Saiba como a odontologia pode ajudar

Motivo de desconforto e desentendimentos no casal, o ronco pode ser a ponta de um iceberg de um sério problema de saúde, a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, conhecida pela sigla SAOS entre os profissionais da área.

Presente em 33% da população da cidade de São Paulo, segundo pesquisa da UNIFESP, na área de Medicina e Biologia do Sono, sob orientação do professor Sergio Tufik, a SAOS necessita ser abordada com a seriedade que o tema ronco nem sempre é visto e seu tratamento pode requerer a atuação conjunta de diversos profissionais, entre eles um cirurgião dentista habilitado.

O cirurgião dentista, especialista em ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares Carlos Kessner esclarece algumas questões a respeito da SAOS.

O que o ronco noturno pode representar?

O ronco pode estar associado a dois problemas que são a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) e a Síndrome da Resistência da Via Aérea Superior. No primeiro caso o paciente apresenta episódios de total bloqueio da respiração durante o sono, no segundo caso há uma maior resistência e um maior esforço para respirar, mas não chega a haver um bloqueio da respiração. Portanto a SAOS é mais grave que a SRVAS.

Quais os sinais característicos do problema?

O ronco é um sinal característico, porém em níveis variados, frequentemente acompanhado de agitação noturna e despertares. Se houver a interrupção da respiração o indivíduo acorda para respirar, desde que não esteja com o sono muito profundo devido à ingestão de alguma droga que o tenha levado a um sono muito pesado. A mais comum dessas drogas é o álcool.

Há outras consequências além dessas?

Noites mal dormidas levam à sonolência diurna, prejudicando a atenção tanto no trabalho, nas atividades de lazer, ou muito gravemente no trânsito, sendo um fator de risco para acidentes de trânsito ou de trabalho. Além disso o sono não reparador pode ser a causa de dores de cabeça ao despertar, alterações de humor, diminuição da libido e fadiga crônica. Não são poucas as consequências, levando-se em consideração que pode estar ainda associado a hipertensão, arritmias cardíacas e refluxo gástrico. A apneia grave pode representar uma diminuição de até nove anos na expectativa de vida! Como se vê, o ruído causado pelo ronco é o menor dos problemas, embora incomode muito aos outros.

Qual o tratamento indicado?

As apneias são classificadas em leves, moderadas e severas. O exame da polissonografia nos fornece o meio de avaliação. É o exame do monitoramento do sono, feito no laboratório do sono, onde o paciente tem seu sono acompanhado por aparelhos e por um técnico na área. Passa-se uma noite lá. Além disso, a avaliação realizada por médicos, como otorrinolaringologistas, pneumologistas, endocrinologistas e neurologistas, vão nos mostrar as causas do sono alterado. A partir daí o tratamento é proposto e instituído. Para o tratamento, além dos profissionais médicos, outros profissionais da saúde podem ser necessários, como cirurgiões dentistas, fonoaudiólogos e nutricionistas. É de se ressaltar que a obesidade contribui para o problema.

As medidas de circunferência do pescoço e da cintura são dados importantes na avaliação do paciente que ronca. É comum vermos a obesidade associada ao ronco e apneias. Pessoas com peso adequado também podem apresentar o problema, porém é mais raro.

Dados recentes do IBGE indicam que 50% da população acima dos 20 anos, tem sobrepeso, índice que passa para 61,8% entre os mais ricos, atingindo mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos.

E como o cirurgião dentista pode atuar no problema?

Uma das causas tanto da SRVAS como da SAOS pode ser a mandíbula posicionada para trás, característica do “queixo pequeno”. O tratamento para isso pode ser o redirecionamento do crescimento da mandíbula por meio de aparelhos em crianças e adolescentes que ainda estejam em crescimento ou cirurgias de avanço mandibular em pacientes adultos. Em casos onde a cirurgia não é indicada ou o paciente não queira faze-la, podem ser usados aparelhos que reposicionam a mandíbula nos casos de apneias leves ou moderadas. Estes procedimentos que são realizados por cirurgiões dentistas, desde que solicitados por médicos que tenham avaliado os pacientes.

Há prevenção para o problema?

Sim, como para tudo, vale o provérbio: Prevenir é o melhor remédio desde que possível. Se a prevenção não puder ser feita, pelo menos será possível atenuar as consequências. Na criança, é importante saber que respirar pela boca é sinal de problema. O pediatra e o otorrino são os primeiros profissionais a serem consultados. Há várias causas de respiração bucal e isso deve ser investigado. Em casos de crescimento facial incorreto, o dentista especializado em ortopedia é indicado.

O sobrepeso advindo da obesidade não é bom para a saúde geral, e também está relacionado ao ronco e apneia. Tabagismo e álcool são outros dois vilões para a saúde. Melhor abandoná-los. O consumo moderado diminui os danos, mas não os elimina.

Alguma recomendação final?

Sim. Que o ronco seja encarado com a seriedade e atenção que suas causas e consequências exigem. Não se trata apenas de uma característica que uma pessoa apresenta e que serve muitas vezes de tema de brincadeiras. Ronco pode estar relacionado a apneia obstrutiva do sono e isso pode matar.

Não é pouco!

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