mundo digital

Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo; os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo1. Mas que mundo é esse? E que homens somos nós?

Nossa sociedade sofre mudanças avassaladoras em ciclos de tempo cada vez menores. Se fizermos um exercício de memória e tentarmos lembrar algumas novas tecnologias, por exemplo, usadas no ambiente escolar, encontraremos a cartilha de osso – sim, foi uma nova tecnologia onde a lição era escrita em pergaminho e protegida por uma camada de chifre de vaca em meados do ano 1500 – essa era mesmo difícil, então vamos para algumas mais fáceis de serem lembradas, assim acredito. O lápis foi nova tecnologia em 1700 e a lousa em 1900. Mais recentemente, tivemos o projetor de slides – 1950, o retroprojetor – 1960, o data show – 1980 e em 1990 o computador chegou à escola. Notem que inicialmente a produção de novas tecnologias teve lapsos de 200 anos. Claro, a produção científica e a capacidade de inovação levavam mais tempo para se concretizarem. A inovação tecnológica foi capaz de produzir novidades a cada 15 anos, em média. Em 2005, tivemos o laptop chegando ao ambiente escolar e no ano passado os tablets já faziam parte das listas de materiais de algumas escolas espalhadas pelo Brasil. Entre o aparecimento de um e do outro, foram nada mais do que cinco anos. Todas essas ferramentas nos deram novas formas de interpretarmos e fazermos o nosso mundo, além de terem sido bases importantes para que novos comportamentos humanos fossem produzidos, mediatizados pelos homens e
pelo mundo.
Nosso mundo é um mundo digital, não é mesmo? Sim, é! Então vejamos. Vou até a farmácia comprar um remédio para dor de cabeça e, no caixa, o atendente faz a seguinte pergunta: Vai pagar como, senhor? Débito ou crédito? Como será minha resposta? Depende apenas do saldo de minha conta corrente. Se ela estiver positiva, vai no débito mesmo. Se não, apelo para o crédito. A cada dia que passa, o dinheiro em papel é menos usado pelas pessoas.
Depois de ter tomado o analgésico, vou para casa de ônibus e lá está, ao lado do cobrador, uma caixinha de nada mais que 20 centímetros de altura por 15 de largura. Encosto um cartão de plástico, chamado magnético em seu leitor e minha passagem está paga. Mas não é só isso! A partir dai começa a ser contado um determinado período de tempo para que eu possa tomar outro ônibus ou metrô sem ter que pagar nova tarifa, caso eu precise.
Então esse nosso mundo, além de digital, é conectado e móvel. Os inúmeros dispositivos criados pelo homem recentemente abriram as cortinas para uma sociedade conectiva, em que esses vários dispositivos fazem conexão com outros tantos para transferir informações. Já sua mobilidade, que é a facilidade que os indivíduos possuem para se comunicar a qualquer tempo e em qualquer lugar, com quem eles desejam, afeta diretamente nossas relações familiares, sociais, afetivas e profissionais, pois novas formas de interação entre as pessoas foram desencadeadas.
Em vários estágios históricos, a sociedade participou da produção científica e tecnológica, apropriando-se e recriando inovações técnicas que surgem, como citei anteriormente, em lapsos cada vez menores. Os contextos criados são incorporados por nós, surgindo assim novos hábitos que se transformam em cultura. Então podemos dizer, que nesse estágio histórico recente, o novo conceito de cultura, o da cultura digital, foi produzido por mim, da geração x, pelo meu filho, da geração y e pelos recém chegados, da geração z.
O que diferencia esta fase atual, a da “sociedade da informação”, de fases anteriores, é que dispomos de um sistema tecnológico que pode revolucionar os modos de processamento da informação e comunicação e, assim, transformar as formas como vivemos e nos comunicamos com os outros, e que se tem denominado de cultura digital.2
No universo escolar, as mudanças de estrutura e funcionamento da sociedade, desencadeadas pelas inovações das tecnologias de informação e comunicação, podem oferecer elementos para enriquecer o fundamental encontro entre professor e aluno. Entendo que a escola não deva posicionar-se defensivamente, tampouco agressiva, diante desses novos padrões e modelos de ser e estar de seus alunos no mundo. O necessário é colocar em discussão como essa nova cultura e toda a tecnologia da informação podem
trazer sentido e significado aos temas historicamente construídos pela humanidade, fazendo uso das tecnologias em sala de aula nas mais variadas formas e situações, com objetivo de facilitar o fazer pedagógico e o mais importante, o processo de
ensinar/aprender.
Que a escola aproveite as oportunidades que o mundo digital e a sociedade da informação lhes oferecem para resignificar seu currículo. Claro, os propósitos formativos implícitos nele devem ser amplamente discutidos por cada comunidade educativa até a tomada de decisão de reformulá-lo. Mas como diz a letra da música de Gilberto Gil, “Que veleje nesse informar… que aproveite a vazante da infomaré…”.

Notas de rodapé:
1 – Prof. Paulo Freire;
2 – Fundamentos para a prática pedagógica na
cultura digital (Anna Helena Altenfelder; Claudemir Viana, Eloísa De Blásis; Regina Inês Villas Bôas Estima;
Sonia Bertocchi – Cenpec, São Paulo, 2011; página 10)

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