Foz do Iguaçu

Três países pelo preço de um. Logo ali, no Paraná!

Foz do Iguaçu nunca esteve nos meus planos de viagem. Não que não achasse que as cataratas poderiam ser interessantes, mas nunca cogitei a possibilidade de ir até lá apenas para conhecê-las.

Esta imagem começou a mudar em 2006, quando fiz minha primeira viagem à Argentina. Durante um curso de espanhol na capital portenha, descobri que as cataratas eram uma espécie de ‘sonho de consumo’ do viajante que visitava a América do Sul. Amigos que vinham da Europa, Estados Unidos e Canadá – todos – planejavam incluir no roteiro uma visita às tão famosas quedas d’água.

Para mim, aquilo soava estranho. Com tantas belezas que o Brasil e até mesmo a Argentina possuem, por que as cataratas?

Nos anos seguintes, não incluí Foz nos meus planos de viagem, apesar de já considerar que um dia gostaria de conhecê-la.

Em 2010 uma amiga jornalista foi até o Parque do Iguaçu para gravar uma série de matérias sobre a região. Quando assisti as reportagens prontas tudo mudou para mim! As imagens daquela aventura em botes, em meio a quedas d’água que surgiam de todos os lados, ficaram gravadas em minha mente. Eu precisava sentir aquela emoção!

No fim do ano, resolvi que planejaria meus feriados de 2011 com antecedência e, ao pensar no destino para o aniversário de São Paulo, 25 de janeiro, resolvi dar uma olhadinha em Foz. A surpresa começou aí: entre passagem e hospedagem em um hotel bacaninha, com piscina e café da manhã, gastei menos de 400 reais.

No primeiro dia fui direto às compras, já que estava sem máquina fotográfica – um pecado para qualquer turista! O Dutty Free de Foz, já na divisa com a Argentina, me surpreendeu pelo tamanho e variedade. Maquiagens, roupas, óculos, bebidas, brinquedos, doces, perfumes, eletrônicos… Tudo! Desta vez, comprei apenas a máquina e aproveitei para dar uma ‘olhadinha’ nas outras seções, já que dali fui ao lado argentino para jantar.

Puerto Iguazú é um charme e tem uma vantagem impagável para os brasileiros – o valor do peso. Muito desvalorizada frente ao real, a moeda argentina torna todos os passeios por lá muito atrativos. E para atravessar a fronteira, basta mostrar o RG.

Para quem gosta de aventura, vale se dedicar a conhecer as cataratas dos dois lados. Do brasileiro, com uma visão ampla de todas as quedas e com a emoção do Macuco Safári, passeio que leva o turista para dentro das águas. Do argentino, com a Grand Aventura, passeio na mesma linha do Macuco e com duas vantagens: o preço, um pouco mais acessível, e a possibilidade ímpar de chegar bem pertinho da famosa e temível queda ‘Garganta do Diabo’. Vale ressaltar que essa é uma aventura, literalmente, molhada! Além da possibilidade de chuva, que aumenta por causa do calor e da grande evaporação das águas, é impossível não se molhar dentro dos botes.

A emoção vai crescendo gradativamente. Primeiro uma caminhada entre a natureza, depois um trenzinho. Já com a Grand Aventura comprada, é hora de subir em um caminhão e passear entre a mata com direito a macaquinhos, pássaros e outros bichos, mas a parte mais esperada começa mesmo quando entramos nos botes. Todas as coisas que não podem ser molhadas são devidamente guardadas em bolsas impermeáveis. Os mais avisados também já guardam uma muda de roupa para troca, antevendo o que vem pela frente.

Primeiro, um passeio panorâmico pelo rio e ao lado de algumas quedas mais distantes. Quando o turista começa a se acostumar com a vista, vem a aproximação da primeira queda e o primeiro banho. Frio na barriga e euforia são as palavras que encontro para descrever o ‘mergulho’. Quando achei que a diversão estava completa veio o grande momento: a Garganta do Diabo estava escondida em uma ‘esquina’, mas era imensa e tão majestosa que seria impossível prever os momentos seguintes.

O bote chegou muito próximo e as águas vieram de todas as partes, impedindo qualquer visão além do branco da queda d’água. Sufocante, mas inigualável! Depois de um respiro de alívio com o afastar do bote, mais uma surpresa: um novo mergulho e toda aquela emoção de novo! Pronto!O passeio chegava ao fim.

Alguns podem dizer que é curto, diante de tanta expectativa, mas eu defendo a duração com uma pergunta – Como continuar depois de tanta emoção? Seria como querer que o frio na espinha da queda livre de um salto de paraquedas continuasse por toda a descida. Será que conseguiríamos lidar com tanta adrenalina?

Depois disso, Foz estava ‘resolvida’ para mim. Ainda havia muito que visitar – a hidrelétrica de Itaipú, o Parque das Aves, quem sabe fazer um voo panorâmico sobre as cataratas em um helicóptero. Muitas possibilidades que, confesso, ficaram em aberto para uma próxima visita. Eu estava extasiada com tamanha grandeza, imponência, maravilha das maravilhas!

Na noite que seguiu à aventura, conheci um dos vários barzinhos do lado brasileiro: música boa, comida deliciosa, ótimo atendimento e preço baixo – melhor impossível!

O dia seguinte estava reservado para compras no Paraguai (quem pode resistir?). Seria só atravessar a famosa Ponte da Amizade e dar de cara com um paraíso de produtos a preços incríveis. Eu resisti! Muitos amigos foram e disseram que realmente vale a pena, com a ressalva de que é melhor estar acompanhado de um guia que conheça o local. Mas eu passei o dia na piscina do hotel, aproveitando o maravilhoso sol com o qual fomos presenteados.

Na última noite, nos despedimos em grande estilo, como uma viagem inesquecível merece. Jantar no restaurante do Hotel Cassino, cinco estrelas, que fica no lado argentino, com direito a entrada, prato principal, sobremesa, garrafa de champanhe e um pouco de diversão nas máquinas caça-níquel. Mas o brinde veio na hora de pagar a conta – tudo, para duas pessoas, custou pouco mais de 100 reais, graças ao bendito peso argentino.

No dia seguinte voltamos para São Paulo refeitos de um feriado que uniu dois países, (porque abrimos mão do terceiro para ficar na piscina), muitas mordomias, passeio em uma das maiores maravilhas da natureza e, o melhor, gastando pouco, muito pouco.

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Edição 27

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