Existem razões para acreditar

Há algum tempo, uma propaganda de refrigerante na televisão me chamou atenção e acredito que a sua também. Crianças cantavam a música Whatever da banda de rock inglesa Oasis, enquanto informações de um estudo comparativo sobre o mundo atual desfilavam sobre as imagens. A primeira comparação era “para cada pessoa dizendo que tudo vai piorar, cem casais planejam ter filhos”, em seguida, “para cada corrupto, há oito mil doadores de sangue”. Você se lembra dela, não é mesmo?

Existem razões para nos preocuparmos com o presente e com o futuro, não há a menor dúvida. Por tudo que vemos acontecer no mundo, no nosso país, em nossa cidade, na vizinhança de casa, na escola de nossos filhos. Há pessoas que ainda são escravizadas e crianças obrigadas a trabalhar em carvoarias clandestinas. Na Amazônia Brasileira 312 km2 de florestas foram desmatadas, e isso somente no mês de junho deste ano. Recentemente, mãe e filho foram vítimas de balas perdidas nas ruas do Rio de Janeiro enquanto iam para a escola.

Mas também existem razões para termos esperanças com o presente e com o futuro. Hoje, o Estado de São Paulo doa para outros estados o excedente de córneas captadas em seus hospitais, a expectativa de vida dos brasileiros chegou a 73,2 anos e na última década, a mortalidade infantil recuou de 30,7 para 22,5 em cada 1.000 crianças nascidas.

Em nossa sociedade, os avanços são lentos – estando ainda distantes de índices de primeiro mundo – mas estão acontecendo. Vejam, somente em 1990 foi promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente e em 1996, após vinte e cinco anos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi atualizada. Ações de voluntariado existem desde sempre e apenas em 2001, por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), estabeleceu-se aquele ano como o ano internacional do voluntariado com o objetivo de aumentar o reconhecimento, a facilitação, a criação de redes e a promoção do serviço voluntário.

Qual é a relação entre adolescentes, educação e voluntariado? Seria energia, condutor e catalisador, ou quem sabe agentes, meio e conteúdo? O que acontece quando esses “ingredientes” interagem? O resultado é “voluntariado educativo”! Uma proposta de voluntariado diferente daquele do adulto, formulada por dois sociólogos italianos onde a ação solidária preocupa-se com a formação dos jovens num espaço de ação e reflexão, de aprendizado sociopolítico, desenvolvimento de senso crítico, conscientização sobre direitos sociais e humanos, de respeito às diferenças e de vivência da solidariedade.

Nesse espaço de ação e reflexão temos juntos, o jovem passando pelo momento de construção de sua identidade, de crescimento humano e espiritual, de busca de sentido à própria vida e de valores nas suas atitudes e comportamentos, a escola, a partir de seus princípios educacionais, servindo como orientadora dos caminhos e escolhas desse jovem, oferecendo-lhe referências que facilitem a definição de seus próprios projetos e o voluntariado educativo como alternativa de busca, dentro de si mesmos, as suas melhores possibilidades.

No vídeo do Instituto Brasil Voluntário – Faça Parte – com foco principal em ações de voluntariado educativo e idealizador do Selo Escola Solidária – há relato de um jovem aluno participante do voluntariado educativo que, no meu entendimento, ilustra o potencial e diferencial dessa proposta. Disse ele: “não sei o que seria de mim sem o trabalho voluntário; não dá para dizer, mas tão feliz como sou, eu não seria com certeza”.

A maioria de nós vê o voluntário como alguém que ajuda a terceiros e, indiscutivelmente o ajuda, entretanto os benefícios que o jovem voluntário traz a si próprio são muito maiores. Maiores porque marcam, transformam, ficam.

Apostar no voluntariado educativo e acreditar nessa nova tecnologia social é dever de todos nós educadores, pois oportunizaremos aos nossos jovens situações onde estes aparecem como atores principais em ações que não dizem respeito à sua própria existência, mas a problemas relativos ao bem comum – dentro da escola ou na sociedade – materializando-se nessas ações, tudo aquilo que dá sentido a nossa humanidade e que faz toda a diferença.

O educador Celso Antunes escreveu certa vez, “O mundo não seria o mesmo se não tivessem existido pessoas que fizeram a diferença, pessoas extraordinárias”.

Acreditar nos jovens e que estes possam se transformar em pessoas extraordinárias e que façam a diferença é um dos papéis da escola.

Ah, sim, lembra aquela propaganda de refrigerante? Ela termina com a frase: “Existem razões para acreditar. Os bons são maioria”.

Eu acredito!

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