Empregabilidade x Empresabilidade

Estamos otimistas e com boas perspectivas na nova década que se inicia. Todos nós esperamos um 2011 grandioso, repleto de oportunidades e expectativas positivas em nossas atividades profissionais. Seguindo essa projeção, pretende-se aqui despertar uma visão mais ampla sobre os conceitos de empregabilidade e empresabilidade, bem como discutir sua importância e aplicação no mercado de trabalho e como o ambiente empresarial deve estimular o desenvolvimento profissional.

Entende-se por empregabilidade a busca constante do desenvolvimento de habilidades e competências agregadas por meio do conhecimento específico e pela multifuncionalidade, as quais tornam o profissional apto à obtenção de trabalho dentro ou fora da empresa.

O termo surgiu na última década, pela necessidade dos trabalhadores de adquirir novos conhecimentos que os habilitassem a acompanhar as mudanças no mercado de trabalho. Até então, as oportunidades de trabalho eram oferecidas principalmente pelas indústrias. A partir daí passam a surgir vagas no setor de serviços, exigindo um outro perfil de trabalhador, que tenha competência para desenvolver as novas atividades.

Considerando que o foco das estratégias empresariais é direcionado para a satisfação dos clientes e para a inovação, as exigências começam pelo nível de formação do perfil profissional e vão até as atitudes e comportamentos no relacionamento com clientes internos e externos.

Por isso, é preciso fazer com que a criatividade seja despertada no indivíduo, juntamente com a coragem de empreender, e isto vale tanto para a sua atuação no espaço da empresa onde está empregado quanto na condução de seu próprio negócio.

Os Sete Pilares da Empregabilidade

A empregabilidade está relacionada a qualquer modalidade de trabalho, seja na montagem do próprio negócio ou na prestação de serviços como empregado de uma pequena, média ou grande empresa. É preciso estar respaldado em raízes fortes que fomentem o crescimento e a transformação profissional.

Os sete pilares sugerem que a experiência profissional é necessária para sustentar a aplicabilidade dos conhecimentos adquiridos ao longo da carreira, permitindo identificar os acertos e os erros do passado:

Adequação da profissão à vocação

Uma vez que para torna-se um bom profissional e um ser humano realizado, o indivíduo deve conciliar a sua função com a capacidade e paixão pelo que faz.

Competências

As competências sinalizam para o nível de conhecimento (expertise) que o profissional deve possuir para o desempenho das atividades:

  • habilidade e preparo técnico e capacidade de aprendizado; – habilidade de comunicação oral e escrita;
  • habilidade em marketing;
  • habilidade de vendas;
  • capacidade de utilização dos recursos tecnológicos.

Comportamento

O comportamento determina a forma de relacionamento interpessoal necessária para a convivência com clientes internos e o atendimento aos clientes externos.

Idoneidade

A idoneidade implica confiança de parte a parte e entre outros fatores, podem-se considerar: ética, conduta, correção, respeito às normas, regras e políticas internas.

Relacionamentos

Quem conhece pessoas adquire informações importantes e relevantes. Uma pessoa cuidadosa registra seus relacionamentos, guarda e cuida deles, fideliza, pois sabe que ai estão as oportunidades de negócios.

Em termos profissionais é muito importante ter um networking, uma forma de se manter conectado a sua rede de relacionamentos. Mantenha contato com essas pessoas.

A rede de contatos é vital para o relacionamento com pessoas e empresas, pois possibilita a prospecção de novos negócios ou de novas oportunidades de trabalho.

Saúde física e mental

Pessoas saudáveis tem bons relacionamentos e interagem de maneira favorável, evitam vícios como fumo, álcool e drogas. Cuidam do equilíbrio do corpo e mente, do desgaste exagerado, mantem sua auto-estima elevada e sua capacidade de realizar projetos.

Capital Acumulado

O capital acumulado é necessário para garantir a sustentação da empregabilidade. Reserva financeira e fontes alternativas de aquisição de renda a perda do emprego significa a perda da entrada de receita. A reserva é uma defesa, uma garantia que o sustenta. O projeto profissional deve ocorrer paralelamente, seu negócio próprio de qualquer dimensão, também pode ser uma fonte alternativa de renda. No caso de negócio próprio, irá garantir a abertura e a manutenção inicial do empreendimento; no caso de ter que buscar uma oportunidade como empregado, dará condições de escolher com maior tranqüilidade, já que os compromissos financeiros estarão garantidos por certo período de tempo.

Hoje, competência profissional abrange desde a disposição para aprender até a capacidade de empreender. É preciso renovar constantemente o aprendizado e as experiências para poder acompanhar o novo contexto de reestruturação e mutação do emprego.

Os serviços repetitivos e de rotina dão lugar às novas formas de trabalho, que utilizam o raciocínio e a emoção como importantes fatores de desenvolvimento organizacional.

A transformação do emprego requer uma nova modalidade no preparo dos profissionais que estão à procura de uma oportunidade. As premissas básicas necessárias para esse novo modelo são a obtenção da educação de base, cultura geral e visão de futuro, capacidade de aprender a aprender, competência humana e canalização de esforços necessários às mudanças e à eficácia da comunicação.

Além dessas habilidades, é preciso levar em conta três elementos básicos para a manutenção da empregabilidade:

  • responsabilidade pela carreira e pelo alcance de metas profissionais;
  • auto desenvolvimento, que implica saber dar e receber feedback – pois críticas construtivas ajudam na própria melhoria – e procurar atualizar-se e aprender sempre;
  • iniciativa, que significa estar à frente, iniciar um projeto sem esperar que isto seja solicitado.

Dentre os requisitos para concorrer a uma oportunidade de trabalho e para se manter nele é possível citar:

  • formação acadêmica, pós-graduação e conhecimento de idiomas;
  • cursos de aperfeiçoamento e de extensão;
  • experiência profissional adquirida;
  • network atualizado;
  • flexibilidade/adaptabilidade/capacidade de trabalho em equipe;
  • pró-atividade/energia/organização;
  • capital suficiente para se manter por um período de tempo;
  • leitura/preocupação em manter-se informado.

É preciso tomar alguns cuidados, contudo, para não perder a competitividade. Abaixo vêm alguns itens que diminuem a taxa de empregabilidade:

  • acomodação em uma mesma função;
  • falta de energia/motivação para o trabalho;
  • dificuldades para trabalhar em equipe ou tendência a se esconder;
  • carreira administrada pela empresa empregadora;
  • restrição de conhecimentos/ falta de visão social.

Empresabilidade

O maior desafio das organizações é descobrir, atrair e reter pessoas talentosas. Se é fundamental que o profissional busque constantemente seu aprimoramento, através do auto desenvolvimento, as empresas também precisam despertar para a necessidade de desenvolver e utilizar as competências intelectuais e técnicas de seus talentos, investindo na qualificação e requalificação de seus quadros e capacitando-os para a nova realidade.

Para se tornarem e se manterem competitivas, as empresas necessitam de profissionais com performance diferenciada, que se destaquem pela capacidade de integração, confiabilidade e qualidade no trabalho.

Este profissional deve encontrar na empresa condições e ambiente para aprender e para se desenvolver, correspondendo às expectativas da organização e às suas próprias expectativas.

Quanto maior a intensidade com que as pessoas e as organizações aprendem, mais condições existem para a criação de vantagens competitivas.

As chamadas organizações de aprendizagem nada mais são do que um grupo de pessoas que produzem conhecimento e compartilham o saber, aprimorando constantemente sua capacidade de criar o futuro.

Algumas empresas preparam as pessoas, tendo como objetivo a melhoria da performance e do posicionamento no mercado, mas ainda não estão preparadas para aproveitar e absorver essa qualificação.

Surge então o conceito de empresabilidade, que é a capacidade que a empresa tem em reter talentos. Para isso, é necessário que ela possua executivos com visão estratégica direcionada para a implantação de projetos que demandem a aplicabilidade dos conhecimentos adquiridos pelos profissionais.

Caso contrário, esses profissionais habilitados irão buscar um ambiente em que possam aplicar os conhecimentos adquiridos e onde tenham oportunidades de aprendizado constante, tendo como conseqüência o crescimento pessoal e organizacional.

Quero aqui sugerir que se enxergue o assunto empresabilidade sob um prisma ampliado, ou seja, a capacidade da empresa de atrair potenciais clientes, fornecedores, parceiros, investidores e comunidade, os chamados stakeholders, os grupos que lidam com a empresa no dia-a-dia.

É aqui que se invertem os pólos: a pergunta não é (apenas) o que o profissional deve fazer para ser empregável, mas (também) o que a empresa precisa fazer para se tornar “empresável” perante o público acima.

Partimos da premissa de que as estratégias empresariais, além da atração e retenção de talentos e líderes, englobam também as seguintes dimensões: satisfação dos clientes que perfazem 80% da sua receita, qualificação por fornecedores parceiros e busca de potentes investidores.

Empregabilidade X Empresabilidade

O grau de exigência que as empresas demonstram com relação ao perfil dos profissionais que compõem seu quadro de pessoal é muito grande, porém na maioria das vezes não possuem um programa de reconhecimento, o incentivo de valorização e a conversão de idéias criativas em projetos arrojados. O resultado dessa política é o desestímulo e a frustração do profissional.

Em vez de impulsioná-lo a buscar mais aprendizado e, conseqüentemente, maiores resultados, a empresa faz com que procure outra colocação, que lhe ofereça oportunidade de desenvolver e aplicar seu talento e que o anime à atualização constante.

Surge aí a dicotomia entre as exigências requeridas pelas empresas e a utilização dessas competências no dia-a-dia do trabalho, ou seja, entre a empregabilidade e a empresabilidade.

É preciso despertar para uma nova relação entre capital e trabalho, pois a cada ciclo de evolução da sociedade se define um novo ciclo de negócios, que, por sua vez, define as novas fontes de empregos.

É fundamental que as empresas incorporem novas tecnologias nos processos produtivos, mas é vital que saibam como aproveitar o conhecimento humano disponível em seu ambiente.

O capital humano é considerado a principal fonte para o crescimento organizacional, já que o diferencial está centrado no saber. Os proprietários do conhecimento (profissionais empregáveis) estão “com a faca e o queijo na mão”, pois depende deles a criação de novas tecnologias e inovações no mundo dos negócios.

Sendo assim, terão liberdade para escolher onde querem estar atuando. Se a empresa não souber como aproveitá-los, com certeza eles irão buscar uma oportunidade onde possam obter satisfação e reconhecimento pelo seu desempenho.
O profissional dos tempos atuais deve ser um empreendedor de sua empregabilidade, deve ser o responsável por sua carreira, gerir seus conhecimentos de tal forma que possa ser produtivo em qualquer modalidade de trabalho, ora como empregado, ora como empregador.

O profissional que desenvolve constantemente seu talento terá condições de escolher as melhores empresas para trabalhar. A competitividade empresarial possibilita a multiplicidade de escolhas de acordo com as necessidades.

Por isso, é preciso que as empresas despertem para o aproveitamento de seus talentos, convergindo conhecimentos e habilidades para o aumento dos resultados e permanência num mercado cada vez mais voltado à criatividade e inovação.

Como exemplo de ambiente empresarial que gera estímulo para o desenvolvimento profissional dos seus colaboradores, gostaria de compartilhar uma mensagem de agradecimento do Presidente do Itaú Unibanco – Roberto Setubal – inserido num DVD e entregue a todos os seus funcionários:

Menos de 2 anos após a fusão do Itaú Unibanco, concluímos a migração e os nossos clientes passaram a ter uma rede integrada de atendimento. Essa operação sem precedentes no mercado só foi possível pelo empenho, dedicação, talento e brilho nos olhos de cada um de vocês.

Com a participação de todos chegamos até aqui e mostramos que 1+1 é de fato maior que 2. Conto com vocês para continuarmos nessa jornada. O melhor ainda está por vir!

Meu sincero agradecimento.

Roberto Setubal

É o hábito de elogiar e admirar a capacidade do outro que o torna mais autoconfiante. O agradecimento diz quanto à pessoa é importante, e mostra o quanto ela é capaz. Buscar fazer cada vez melhor, inovar, ter e fazer o diferencial em qualquer negócio é tempero de amor, dedicação e competência. Mais do que nunca precisamos de pessoas que sejam capazes de prestar bons serviços, de fazer a diferença com as próprias atitudes. Para isso tem que ter vocação, muita vocação. Agora chegou a sua vez de pensar em ser e fazer diferente, de se destacar por algo único, exclusivo. Coragem e sucesso!

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Edição 27

A Estilo Fashion é publicada semestral e contém assuntos váriados como moda, gastronomia, saúde, etc.

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