Desde 1808 até hoje

Receber estrangeiros exige educação acima de tudo. Veja como seguir a tradição do país e ser o anfitrião ideal para quem vem de fora

Ser um bom anfitrião é um dom e ser um bom hóspede é uma arte.
Quando, em 1500, os portugueses chegaram ao Brasil, alguns índios locais bem que tentaram recebê-los com mimos e hospitalidade, mas tudo mudou e os europeus tomaram o local e tentaram fazer com que os indígenas assimilassem o comportamento europeu. Nunca funcionou.
Fugindo de Napoleão, os refinados portugueses da corte, que aportaram nestas bandas em 1808, após 99 dias de viagem, chegaram a uma colônia de clima tropical e desprovida de requintes palacianos.

Mais uma vez, elegância ao receber, pois os edifícios haviam sido pintados e reformados, inclusive com passarelas para evitar que se pisasse na lama e as ruas foram cobertas de areia branca e folhas aromáticas. Dos balcões e janelas enfeitadas, a população lançava flores aos recém-chegados.
O fundamental, independentemente do luxo ou riqueza, é demonstrarmos a quem chega que estamos felizes em recebê-los. Os que já habitavam estas terras assim o fizeram, e mesmo assim os que chegaram só se queixavam.

Hoje, 204 anos depois, algumas dicas podem ajudar bastante para receber bem quem ao Brasil vier.
Acredite se quiser, nem todos que vêm para cá estão loucos por um show de mulatas em escola de samba ou, literalmente, babando por uma boa churrascaria. Pergunte aos estrangeiros se esses programas são os que os agradam ou se estão em sua lista de interesses.

Nossas comidas típicas costumam ter temperos fortes e, muitas vezes, estranhos para quem vem de fora. Já foi dito, aqui, que você deve provar tudo o que lhe for oferecido em viagens ao exterior, mesmo que seja só para degustar. Nem por isso, se entregue à tentação de praticar a regra ao inverso e obrigar o visitante a se deliciar com um banquete composto de acarajé, vatapá e caruru, tudo com muito azeite de dendê. Resultado desastroso na certa.
É fundamental que, de antemão, fique bem claro o tempo de permanência do visitante, suas prioridades e expectativas, e que estas estejam bem adequadas às possibilidades e realidade de seus anfitriões.

O bom viajante sabe que é básico informar-se sobre o país de destino e seus costumes. Pessoas de bom senso conhecem o implacável dito alemão que diz: “hóspedes são como peixes, depois de cinco dias começam a cheirar mal”. Avisar ao hóspede a rotina da casa é importante para deixar claro os horários e limites. Se o visitante optar por um hotel, vale procurar saber sua agenda antes de determinar passeios ou compromissos.

Mas o principal nessa relação costuma ser esquecido: o espírito de anfitrionar e de se hospedar devem existir em ambos. Senão, será uma tortura para todos.
Afinal, depois de um tempinho por aqui, só mesmo com um mau humor de Carlota Joaquina para não querer levar de volta nem o pó deste nosso delicioso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.

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Edição 27

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