Colônia do Sacramento

Um refúgio de charme e história no sul do Uruguai

Minha visita à Colônia do Sacramento aconteceu por acaso. Uma destas surpresas que as viagens nos trazem e que as deixam ainda mais saborosas e inesquecíveis.

Em 2006 fui pela primeira vez ao exterior. Sozinha, embarquei para um curso de uma semana de espanhol em Buenos Aires. A viagem, no total, levaria nove dias e aqueles que conhecem a capital portenha sabem que o tempo é mais que suficiente para conhecer a cidade. Então, uma de minhas novas amigas sugeriu o passeio: “Que tal passarmos um dia no Uruguai?” Para quem nunca tinha saído do Brasil até então, a ideia pareceu mais que interessante. Ganharia dois países pelo preço de um!

O convite era para visitarmos Colônia do Sacramento, uma cidadezinha tombada pelo Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade, da Unesco, que está apenas a 40 quilômetros de Buenos Aires, navegando pelo Rio da Prata.

Existem ao menos três companhias que fazem o trajeto em opções rápidas, com cerca de uma hora de viagem, e opções mais lentas, que levam aproximadamente três horas cada trecho. Como bons estudantes, optamos pela mais lenta e, consequentemente, mais barata. Na verdade, compramos um pacote que, além da travessia, nos dava direito a um city tour e um almoço bem básico em um dos restaurantes da cidade. E lá fomos nós, quatro brasileiras, uma suíça, uma canadense e um italiano, rumo ao Uruguai!

Nosso barco saia às sete da manhã. Como é necessário chegar com uma hora de antecedência, às seis já estávamos no terminal da companhia escolhida, em Puerto Madero. Por sorte chegamos mais cedo, porque uma das brasileiras não se deu conta de que, apesar de ser um passeio de apenas um dia, sairíamos do país e, por isso mesmo, quem não estava com passaporte precisava do comprovante da alfândega recebido na chegada à Argentina. Documentação resolvida, estávamos prontos para o embarque.

O barco era grande e confortável. Além de boas poltronas sem lugar marcado, tinha a bordo um café que oferecia deliciosos alfajores e outros doces (não inclusos no pacote) e um Free Shop, paraíso de todo o turista!

Colônia é a cidade mais antiga do Uruguai, fundada pelos portugueses em 1680. Por sua localização estratégica foi, por muitos anos, alvo de disputa por lusitanos e espanhóis. Sua arquitetura colonial é única no país e o bairro histórico é marcado por ruas estreitas de pedra, iluminadas por antigos lampiões, ou faróis, como são chamados por lá.

Para os brasileiros, é possível fazer uma relação com o charme de Paraty e, como na cidade fluminense, o melhor passeio de Colônia é de graça – caminhar pelas ruelas de paralelepípedos e observar suas construções feitas de pedra, de barro ou decoradas com azulejos, além das charmosas ruínas. A sensação que se tem é de ter voltado no tempo e não é raro se deparar com carros muito antigos estacionados e carruagens circulando em busca de turistas.

Já no clima de viagem no tempo, começamos o passeio pela Puerta de la Ciudadela. Antigo portão principal da cidade, se mantém conservado ainda hoje, inclusive com a velha ponte levadiça.

As ruínas do Convento de S. Francisco Xavier e Farol reúnem o que restou do convento franciscano construído entre 1683 e 1704. O local sofreu um incêndio no final do século XVIII, no qual foi parcialmente destruído. Em 1857 foi levantado nas ruínas do convento um farol, que ainda funciona e pode ser visitado. Lá do alto observamos toda a paisagem da cidade e do Rio da Prata. É encantador.

Também passamos pelo Museu do Azulejo, uma pequenina casa de 1740 que foi restaurada especialmente para abrigar o acervo de azulejos usados nas construções da cidade entre 1849 e 1900. Ao fundo dele é possível observar um mosaico feito em azulejos com o mapa da cidade. Vale a foto!

O almoço foi no entorno da Praça 25 de Maio, mais conhecida como Praça Maior. No passado ela era usada para exercícios militares e, além do nosso restaurante, ao seu redor ficam vários edifícios históricos importantes da zona antiga, como a Casa de Nacarello, o Farol, o Arquivo Regional, o Museu Municipal, a Casa de Lavalleja e o Museu Português.

Mas indispensável mesmo é passar pela Calle de los Suspiros. Uma estreita ruazinha, com chão de pedras e casas antigas feitas em barro e pedras, que corre paralela à muralha, da Praça Maior em direção ao Rio da Prata. Muitas lendas buscam justificar o nome da rua, mas a que mais gosto é a que diz que ali havia um prostíbulo e os suspiros que dão nome à rua seriam das “meninas” que sonhavam com a chegada do verdadeiro amor.

Existem ainda muitos outros museus e casarões no bairro histórico. Também é possível passar bons momentos em uma caminhada pela orla, chamada de Rambla Costanera, visitando as praias do Rio da Prata. Restaurantes, bares e até casas de chá completam o clima pitoresco da cidade.

Para mim, Colônia foi um passeio delicioso, de apenas um dia. E é assim que a maioria dos turistas a conhece. Meu ponto de partida foi Buenos Aires, mas também é possível chegar rapidamente vindo de Montevideo (180 quilômetros) ou Punta del Este (290 quilômetros). Você pode optar pelo “bate e volta” ou usar a cidade como ponto estratégico entre um destino e outro. Mas se seu ritmo de viagem é mais tranquilo e você faz questão de passar a noite por lá, Colônia oferece hospedagens para todos os gostos. Desde hotéis cinco estrelas, até pousadinhas simples e charmosas.

Seja qual for sua opção, Colônia do Sacramento é indispensável para quem ama viagens, história e belas paisagens. Um verdadeiro refúgio do nosso continente. Quem conhece garante: a experiência é única!

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