Árvore de Natal e o Presépio

Todo mundo adora enfeitar o pinheiro em dezembro, mas você sabe a origem dessa tradição? Descubra por que a árvore e o presépio são símbolos de união no Natal

A árvore é o símbolo sagrado da vida, a relação entre a matéria (terra) e o espírito (céu). Nela estão contidos os três níveis do Cosmo:

  • O subterrâneo, através de suas raízes, explorando as profundezas, absorvendo nutrientes para distribuir, simbolizando a mãe
  • A superfície, através de seu tronco, simbolizando o sustentáculo, o falo masculino, o pai
  • A altura, o céu, através de seus galhos, o filho

É a primeira imagem da evolução. A árvore representa os quatro elementos da natureza: a água que flui em sua seiva, a terra em seu tronco de sustentáculo, o ar que alimenta suas folhas e o fogo que surge de sua fricção. Ela representa a Lei da Retribuição, do eterno retorno, o renascimento. A árvore, com seu verde, indica a esperança, a manifestação da vida da terra. Na renovação de suas folhas encontramos a primeira simbologia de morte e renascimento. Em suas raízes, que se escondem no solo, vemos a força interior do homem para lutar. E para descobrir nossa linhagem construímos a Árvore Genealógica, a história de família.

Montar a árvore de natal faz parte das tradições alquímicas e cósmicas da magia de nossos ancestrais e suas sabedorias, aprendida na observação da natureza. Cada elemento que compõe a beleza da árvore tem um significado. Tradicionalmente, é usado um pinheiro, pois era a árvore que permanecia verde durante todo o inverno.

Os antigos não mediam o tempo de forma linear e sim de forma cíclica: o sol caminhando através das estações da natureza, indicando o momento da semeadura, da reprodução, da colheita e do descanso. Isso tudo era comemorado com festa e com alegria para saudar a Roda da Vida. Tudo marcado no céu pelo número de horas de luz e de escuridão.

A noite mais longa do ano ganhou a simbologia do ventre da noite esperando o nascimento da luz, época onde os homens ficavam em vigília, festejando e orando, enquanto aguardavam a renovação do equilíbrio da natureza, a força incansável da vida. Era o solstício de inverno, o nascimento do deus Sol, o invencível! Isso acontecia perto do final do mês de dezembro, em sua noite mais fria e mais longa.

Por isso, eles se reuniam para festejar a volta do ciclo que os levaria para o calor e, com ele, a liberdade de caminhar para negociar, batalhar e saber das notícias. Essas eram as celebrações que existiam antes do cristianismo: comemorar o renascimento do ciclo da vida. Os padres católicos entenderam essa simbologia como uma forma de reunir as pessoas e agregá-las a um ritual, onde só eles detinham o poder da magia. Era o poder que o homem começou a usar sobre a sabedoria do Divino e, com isso, manipular e subjugar o homem menos favorecido.

Por volta de 25 de dezembro, o mundo romano (que dominava na época) comemorava o nascimento do deus Mitra (cultuado em Roma até o século III) e as saturnálias, festa em homenagem ao deus Saturno, algo muito parecido com nosso carnaval, onde todos os excessos eram permitidos. Nessa época o cristianismo ganhou força e a Igreja Católica começou a exercer supremacia sobre as outras religiões e, ao invés de proibir as festividades pagãs, deu a elas outro significado: valores cristãos. Era uma forma de fazer o povo aceitar o cristianismo.

Substituiu-se a comemoração do nascimento do deus Mitra pelo nascimento do deus dos cristãos: Jesus. Assim surgiu o Natal como conhecemos atualmente. No Concílio de Nicéia, mais de 400 anos após o nascimento e a morte de Jesus, ficou convencionado que o dia 25 de Dezembro seria a data de seu nascimento, deixou-se, então, de cultuar o deus pagão e passou-se a cultuar o Deus cristão.

A herança dessa época ficou na representação da Árvore de Natal. Sua simbologia é rica e entendê-la é conhecer a sabedoria dos nossos ancestrais. Nos dias de hoje revivemos tradições sem conhecer o que herdamos: suas origens. Reavivar esse rito é formar uma egrégora de força para nossa alma e nossa família. Reunir as pessoas mais próximas ou voltar para dentro de si e plantar uma semente de amor e de esperança. Não estamos no hemisfério Norte onde o inverno é rígido e com muita neve, mas a força do ritual e de um Deus no coração se faz presente em todas as estações e em todos os corações.

Como enfeitar a árvore

Coloque os ornamentos, adereços ou enfeites como bolas e fitas sempre de baixo para cima, da matéria para o espírito. As luzes (pisca-pisca) são de cima para baixo, do espírito para a matéria. Os enfeites representam as pessoas queridas que gostamos de recordar nesta data. Uma ideia
é escrever em fitas o que quer conquistar e
amarrá-las junto aos enfeites.

O Presépio

O presépio surgiu em 1223 quando São Francisco de Assis quis vivenciar o nascimento de Cristo, no meio da natureza viva e não dentro da Igreja, com paredes e teto impondo limites. Ele queria que os camponeses entendessem que o amor que Cristo trazia era livre de obrigações e de cerimoniais. Para isso, pediu permissão à Igreja e a recebeu (isso aconteceu em Gréccio). Foi a forma mais sábia de fazer o povo mais simples compreender o nascimento de Jesus e abrirem seus corações para ele. Foi algo tão mágico que logo se propagou nas igrejas, mosteiros, nas moradas de reis e nobres e, com o tempo, nos lares dos cristãos.

Entenda a simbologia

Missa do Galo tem origem nos druidas (homens sábios que usavam medicina natural e filosofia). Suas orações eram feitas quando o galo cantava. É ele que anuncia o raiar de um novo dia, o raiar do Sol.

Flores, frutas e refeições indicavam o momento de unir a família para a oração e a vigília na espera da chegada do deus da luz e da justiça.

Guirlandas feitas de musgo verde enfeitavam as portas de entrada das casas, em sinal de que a luz e a justiça da natureza eram bem-vindas.

Árvores eram trazidas para o interior das casas, indicando a volta da vida e da fartura. A árvore é o símbolo sagrado da vida.

Velas e as luzes usadas como enfeites simbolizavam as fogueiras, a luz que aquecia e iluminava a escuridão, enquanto esperavam em vigília o deus Sol que nasceria e, com ele, a volta à vida, o processo infinito da ressureição: vida e morte.

Enfeites colocados na árvore simbolizavam a alma dos ancestrais que tinham partido, mas que eram trazidos de volta através das lembranças e das recordações, para que participassem da festividade alegre com a chegada do novo ciclo de vida.

Ponteiro ou estrela colocados no topo da árvore simbolizavam a ligação do homem com Deus.

Presépio era a simbologia de que um Rei de fato trazia a mensagem da humildade diante de tudo e de todos.

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