Alfaiataria de luxo

Conheça a trajetória de Wagner Rahal, um dos maiores e mais tradicionais alfaiates de São Paulo

Um dos nomes que marcam o mercado de moda masculina é Wagner Rahal, considerado um habilidoso artesão das tesouras. Há quase 40 anos na profissão, o empresário de 56 anos sempre gostou de lidar com moda. “Meu tio tinha uma indústria têxtil e eu sempre via os desenhos e ficava fascinado. Comecei a trabalhar cedo com isso”. Criou junto com o pai, Mário Rahal, e o irmão, José Alberto, a grife Zequita, na década de 1970. Nesse período, a rua Augusta era palco de lojas de grifes, onde circulavam pessoas que gostavam de uma moda descolada, mas também não abriam mão de uma calça sob medida ou de uma blusa cacharrel.

Quando seu pai faleceu, Wagner deu continuidade ao trabalho e criou uma nova marca, W Rahal Uomo Moda. “Resgatei os laços familiares, mantendo a clientela antiga e ganhando novos clientes, ainda mais exigentes”. A proposta de Wagner sempre foi a valorização do trabalho artesanal, feito à mão. “Atingi um público-alvo que sempre foi receptivo a ter uma apresentação pessoal bem-cuidada, com poder aquisitivo elevado, que são exigentes na hora de se vestir”. Seguindo a tendência do mercado, Wagner expandiu sua produção para peças semiprontas.

“Resgatei os laços familiares, mantendo a clientela antiga e ganhando novos clientes, ainda mais exigentes”.

O ateliê de Wagner ocupa um imóvel de dois andares no bairro dos Jardins e conta com um espaço equipado para receber seus clientes mais exigentes com todo o conforto que eles merecem. Apesar disso, o estilista e sua equipe – que totaliza 20 pessoas – prestam também atendimento personalizado na casa de clientes que preferem não se deslocar até o local. Segundo Wagner, o sucesso do seu trabalho está ligado ao amor pela arte da alfaiataria. “Quando você ama o que faz, trabalha motivado a se desenvolver cada vez mais, superar seus próprios limites”.

A clientela do estilista é guardada a sete chaves. Ente eles estão empresários, políticos, profissionais liberais e uma fatia formada por jovens que se vestem com estilo. Mas Wagner não cita nomes. “Acredito que eles preferem ficar no anonimato pela questão da exclusividade dos modelos”, diz o estilista.

Sob Medida

Voltemos ao tempo, especificamente nas décadas de 1950 e 1960. Nesta época, os homens que quisessem comprar um terno recorriam ao alfaiate, que era responsável por todo o processo de confecção da roupa, esculpindo à mão cada detalhe do corte, da costura, do acabamento das peças. Ao longo dos anos, com a chegada dos grandes magazines, das lojas de grife, da abertura da importação, ficou mais fácil adquirir um terno alinhado, de tecido importado e com caimento impecável. Mesmo assim, os alfaiates que nasceram com o dom da costura, como é o caso de Wagner Rahal, se tornaram estilistas e se mantiveram atualizados com as tendências da moda.

Para tornar a roupa sob medida uma obra de arte, Wagner investe em conhecimento. Não tira os olhos dos mercados que ditam as regras nesse sentido. O estilista faz diversas viagens para países como Estados Unidos, França, Itália e Inglaterra em busca de novas ideias. Além disso, envia uma vez por ano um dos integrantes de sua equipe para fazer cursos de atualização ou especialização no exterior. “Minha equipe é bastante especializada e graças a esses cursos feitos pelos meus colaboradores em países como a Itália, por exemplo, consegui modernizar os processos de corte e modelagem. Hoje, consigo agilizar em até uma semana o prazo de entrega das peças confeccionadas”, enfatiza Wagner;

Para o estilista, marcar presença em outros mercados é fundamental. “Nas viagens, visito também as lojas de grifes. Muitas vezes, trago peças a peso de ouro e a partir delas vou aperfeiçoando novas técnicas, novos estilos, adaptando-os às características do clima brasileiro, que é mais tropical do que na Europa e nos Estados Unidos”.

Wagner acredita que a roupa sob medida tem seu glamour. “O caimento é perfeito, personalizado, totalmente adequado à estrutura de cada pessoa. E isso propicia um resultado final harmonioso, elegante e charmoso. E se contrapõe às roupas vendidas no varejo, que possuem o mesmo corte, a mesma padronagem, as mesmas medidas e tira o ar de exclusividade das peças”.

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Edição 27

A Estilo Fashion é publicada semestral e contém assuntos váriados como moda, gastronomia, saúde, etc.

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